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Mais uma parada gay está por vir e a desvalorização da luta pelos direitos tende a persistir   Foto: Edu Cesar Não podemos igno...


Mais uma parada gay está por vir e a desvalorização da luta pelos direitos tende a persistir 

 Foto: Edu Cesar

Não podemos ignorar que o movimento moderno de defesa dos direitos humanos dos homossexuais tem início com uma revolta, uma luta contra a repressão por todos os lados. O número de mortes de pessoas LGBT é enorme, inclusive, o Brasil lidera o número de assassinatos em disparada, tendo uma morte a cada 28 horas e, 40% dos assassinatos de transexuais no mundo, ocorrem no Brasil, que belo ranking para estarmos, né? E pela falta de uma lei que criminaliza a homofobia, as queixas são registradas como uma agressão qualquer.  

A homofobia e o discurso homofóbico têm a mesma ideia de um discurso racista, só que não temos uma lei que nos protege, se tratar um negro diferente por causa de sua cor, a pessoa pode ser imediatamente presa, se alguém me agride por eu ser mulher, a mesma coisa, mas se alguém nos discrimina por causa da nossa sexualidade, não há uma lei que puna o agressor. 

A primeira parada gay, em 1970, surgiu para celebrar essa revolta, lembrar a luta, e marcar que os abusos não seriam mais tolerados. Enquanto os direitos humanos da população LGBT continuarem a ser desrespeitados, as paradas gays continuarão a existir, e mesmo se todos os direitos um dia forem assegurados, elas continuarão como um testemunho de todos que sofreram e morreram ao longo da história simplesmente por serem LGBT, e também em memória de todos aqueles que lutaram pelo fim da discriminação. E fora a luta para conseguirmos uma lei que nos proteja perante nossa orientação sexual, (e não, não é uma escolha) também estamos numa batalha incansável para conseguirmos os mesmos direitos de casamento que os casais heterossexuais possuem, afinal, quem quer casar tem que ter esse direito assegurado por lei. 

Parada Gay de São Paulo 2014 aconteceu no dia 4 de maio. Foto: Edu Cesar

Em 1997, a ex-senadora Marta Suplicy, colocou em pauta a lei de parceria civil, que implica na união entre pessoas do mesmo sexo e regula basicamente direitos patrimoniais decorrentes da união, que foi e voltou muitas vezes, mas acabou não dando em nada. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal, estendeu a união estável para pessoas do mesmo sexo. Com isso estabelecido, casais gays puderam se juntar, tornando-se sucessores legais, integrados pelo plano de saúde, reconhecidos como dependente da previdência, tendo direito à pensão no caso de morte e herança. A união estável ajudou, mas não totalmente, por exemplo, o estado civil em cartório não é alterado e também não dá direito à mudança de nome.

 Em 2013, o conselho nacional de justiça declarou que a união estável tem que ter os mesmos direitos do casamento. Com igualdade de direito no casamento civil, casais homossexuais passaram a ter as mesmas garantias que os casais heterossexuais. O casamento gay, garantido pelo STF, é uma grande conquista, mas não é totalmente seguro, quem escolhe os ministros que compõe o STF é o presidente, ambos podem mudar, e sabe lá o que pode acontecer, né? O ideal é que essa lei seja aprovada pelo congresso, porque passamos a possuir um direito garantido por lei, e várias questões seriam resolvidas, como a adoção, licença maternidade/paternidade, e não dependeríamos da interpretação de um juiz, por exemplo, para decidir se podemos ou não adotar uma criança ou tirar a licença.

E gente, pedimos o casamento no civil na lei, não na igreja, o que é completamente diferente, e como falado no texto da semana passada, o Brasil, sendo um país laico, deveria conceder os mesmos direitos para todos os casais. A união civil não passa de um contrato estabelecido pelo Estado, não concede os mesmos direitos do casamento para todos os casais. E colocar o casamento gay como algo diferenciado, é um retrocesso, como na época em que negros e brancos não podiam juntar suas escovas de dente. 

Boa parte da imprensa do mundo todo consegue enxergar o erro que é tirar Dilma, nisso o brasileiro não copia os gringos (Imagem: Be...



Boa parte da imprensa do mundo todo consegue enxergar o erro que é tirar Dilma, nisso o brasileiro não copia os gringos

(Imagem: Beta Veja.com)


É até discutível o “ficar ou não ficar” da presidenta no poder do governo, alguns jornais mundiais estão divididos sobre esse assunto, assim como a população brasileira. Mas se tem um denominador comum que esses grandes jornais encontram para discursar sobre o Brasil, é o absurdo que é um país ter Eduardo Cunha como condutor do processo de Impeachment de Dilma Rousseff.

A votação que parecia uma mistura de circo com culto evangélico chamou a atenção da mídia internacional, claro que negativamente. O site da revista Der Spiegel (Alemanha) intitulou seu texto como ”A insurreição dos hipócritas”, onde dizia que o congresso brasileiro mostrou sua cara e apontou que tanto Cunha quanto Temer, sucessores de Dilma, são investigados por esquema de corrupção na lava jato. Ainda na Alemanha, o diário Süddeutsche Zeitung enxergou a contradição de políticos, acusados de corrupção, estarem acusando a presidente de um crime sem ter provas concretas. Dessa vez não tomamos 7x1 no campo futebolístico, e sim no campo jornalístico, visto que por aqui a grande maioria ficou em cima do muro.

O jornal britânico The Guardian botou em foco a ridícula posição de Bolsonaro ao dedicar seu voto a Carlos Ustra, visto por muitos como o pior torturador da época da ditadura. Já o espanhol El País enfatizou que o processo a ser orquestrado por Eduardo Cunha, que é acusado de obter contas milionárias na suíça com dinheiro desviado na lava jato, é “um sintoma da estrutura moral de boa parte do congresso brasileiro”.

Até os estadunidenses fizeram duras críticas a todo esse processo que está acontecendo. A revista de economia Fortune convidou o presidente da Brazilian Studies, Bryan McCann, para dissertar sobre o assunto e McCann foi implacável ao dizer que “Colocar o PMDB no poder para limpar a política brasileira é equivalente a limpar o chão com um esfregão sujo”. O brasileiro tem mania de imitar os americanos em quase tudo, em sua maioria coisas inúteis, mas quando um deles tenta abrir o olho da nossa população, damos uma de Demolidor.

O que mais me assusta é o quão claro está para a maioria dos estrangeiros a patética situação que vivemos no cenário político e nós custamos a enxergar, ou pior, enxergamos só de um lado. A culpa é do PT e não tem conversa, foi o PT que implantou a corrupção no país e ponto final. Vocês realmente acham que o Temer vai salvar o país? É ilusório acreditar que Eduardo Cunha está tendo todo esse “chilique” em prol do País.

Antes que me julguem, não sou defensor do governo Dilma, muito pelo contrário, sou a favor de novas eleições, as pedaladas fiscais foram um erro e deixar a economia brasileira chegar ao ponto que está, foi herança de uma má administração. Só que não coça a orelha de vocês o Cunha abrir esse processo de Impeachment 50 dias depois de sua cassação virar um fato?

Antes de começar a escrever esse texto me ascendeu uma luz que provavelmente Cunha será deposto da sua cadeira de presidente da Câmara dos Deputados. As acusações são claras, quebra de decoro parlamentar e desvio na lava jato para sua conta na suíça, que inclusive foi o motivo da quebra de decoro. Se não cassarem seu mandato muito provavelmente o povo vai protestar.

Dois presos na operação lava jato já citaram seu nome, João Augusto Rezende afirmou fazer uma transferência que era referente à compra pela Petrobras de uma área de exploração de petróleo na África. Fernando Soares confirmou que transferiu cinco milhões de dólares em propina em navios de sonda da estatal, ambas para sua conta na Suíça.


Porém, me ocorreu que provavelmente o Impeachment já vai ter acontecido e muito será colocado na conta, positivamente, de Cunha, que talvez tenha a cara de pau de se eleger a presidência com esse trunfo na manga, como o “salvador”. Se o Maluf está na política brasileira há mais tempo que o escritor em questão tem de vida, porque não ter um presidente que derrubou a atual presidência por, por, por.… qual o crime impiedoso mesmo que ela cometeu? Verdade, confiar no Temer.

Eduardo Cunha foi muito sagaz politicamente falando, tenho que concordar, ele desviou toda a atenção de seu processo, que já se tornou o mais longo da história, a ser resolvido com 173 dias desde a abertura de representação, abrindo o processo contra Dilma. A população diminuiu o pedido de sua cabeça e o STF teve que dar uma pausa no estudo de seus possíveis crimes.

Vivemos uma crise política muito séria e todos sabem disso, inclusive os grandes jornais do mundo, o argentino La Nacion vai mais fundo e vê as três crises que o Brasil sofre: política, econômica e moral. Por falar em países da América latina, existe um boato que alguns presidentes que formam o MERCOSUL já falam em excluir o Brasil caso a presidente Dilma seja deposta.

Eu sigo inconformado com o fato de uma grande parte da impressa mundial estar enxergando o que o brasileiro ou não enxerga, ou finge ser cego. É uma gigante contradição um cara como Eduardo Cunha abrir um processo de Impeachment dizendo que vai acabar com a corrupção.

Deputado Cunha, venho por meio dessa lhe dizer que o senhor é um cara de pau e devia cumprir com os seus deveres de presidente da Câmara dos Deputados. Com isso, investigar todo tipo de corrupção e não agir de má fé, olha que contradição, logo o líder da bancada evangélica. E antes de investigar a presidenta ir atrás de um por um do seu “departamento”. Eu acredito que quando somos líderes de algo, precisamos dar o devido exemplo, o senhor devia se envergonhar de sujar o nome do país desse jeito para o mundo todo, do fundo do meu coração, você devia ter um pingo, que seja, de honestidade, levantar a mão e dizer “eu sou culpado”. O seu Deus está vendo tudo isso Cunha, cuidado! Ele pode abrir um Impeachment contra você.

A constituição afirma o estado laico, mas na prática é quase tudo em nome de Deus Cartoon por Carlos Latuff É difícil ser apa...


A constituição afirma o estado laico, mas na prática é quase tudo em nome de Deus

Cartoon por Carlos Latuff


É difícil ser apartidário numa época como essa, ou você é “coxinha” ou você é “petralha”. É difícil pensar no "quero o melhor para o meu país", sendo que o meu melhor pode ser extremamente diferente do seu.  

Essa divisão na política, esse “oito ou oitenta” acabou criando uma espécie de batalha entre os dois lados. De um lado, levanta-se uma bandeira colorida que defende o amor e os direitos humanos, do outro, levanta-se uma cruz a favor  da família e ao amor divino. 

Mas espera aí, o Brasil não é um país laico? Ou seja, uma posição neutra no campo religioso, tendo como princípio a imparcialidade nesses assuntos, o que nos dá a entender que, nenhuma doutrina religiosa pode ter influência na Constituição. Além disso, como pode um Estado que se diz laico privilegiar templos de qualquer culto com isenção de impostos? Que motivo levaria um Estado laico a beneficiar entidades religiosas que não assiste a uma população como um todo?  

As sociedades religiosas não pagam impostos e recebem subsídios financeiros para suas instituições de ensino e assistência social, e muitas delas exercem pressão sobre o Congresso, dificultando a promulgação de leis no que diz respeito à pesquisa científica, aos direitos sexuais e reprodutivos, da união homoafetiva, principalmente. 

Bom, se você assistiu o processo jurídico do impeachment, no último domingo, um número grande de políticos usaram seus votos para homenagear a Deus e a sua própria família, um horror pensar que políticos que nos representam param pra pensar primeiro em suas próprias ideologias religiosas, e em segundo, na sua própria família, e em terceiro ou quarto, talvez quinto, na população brasileira como um todo. 

Os direitos humanos que o outro lado, “colorido”, insiste em colocar em pauta, asseguram direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e a igualdade perante a lei. No entanto, no país, como já citado, há uma forte atuação de certos grupos religiosos inserindo em suas propostas políticas, reflexões que variam entre sexualidade, convenções sociais e culturais, que regulam as condutas do indivíduo, tentando empurrar suas doutrinas no que diz respeito à liberdade e direitos igualitários.

 A questão é a seguinte, as igrejas podem até manifestar indignação, mas jamais podem decidir algo, a resolução é totalmente do Estado, que da mesma forma que garante o direito de culto, garante, ou pelo menos deveria, a indiferença religiosa, uma vez que as leis nascem no Congresso Nacional, já que deputados e senadores trabalham na elaboração e aprovação de cada lei que norteia os direitos dos cidadãos. A bancada fundamentalista de evangélicos e católicos do Congresso Nacional está atuando de forma indiscriminada, criando ações, como projetos de lei, que colocam em risco a laicidade do Estado brasileiro. 

Atualmente, o movimento evangélico no Brasil cresceu deliberadamente, construindo uma bancada que segue essa doutrina, o que comprometeu as boas relações de convivência entre os mais diversos segmentos religiosos do país, e resultou em agressões e ataques deste ou daquele grupo, desencadeando uma onda de intolerância e rivalidade totalmente desnecessária. Será mesmo que é desse jeito que o Brasil terá um futuro melhor?