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Em tempos difíceis, que cada vez mais extremistas ganham espaço e voz, a população necessita lembrar o que de fato aconteceu no dia 1 de ...


Em tempos difíceis, que cada vez mais extremistas ganham espaço e voz, a população necessita lembrar o que de fato aconteceu no dia 1 de abril de 1964 e as consequências desse golpe para o Brasil

Definição de tortura: dor violenta que se inflige a alguém, sobretudo para lhe arrancar alguma revelação; suplício
Se Deus existe, definitivamente ele não tem um afago por torturadores.

Muito tem sido debatido sobre a Ditadura Militar x Comunismo. Os argumentos para as pessoas que defendem a ditadura partem do pressuposto de que, se não fossem os militares, os comunistas teriam imposto uma ditadura comunista.

Talvez de fato tivesse ocorrido, mas não necessariamente podemos prever de qual forma seria esse “imaginável” governo comunista e nem se teria força suficiente para governar (ainda mais por quase 20 anos).

Não podemos trabalhar com o discurso de que, se tivesse acontecido,eles salvaram o Brasil. Trabalhamos com o que de fato aconteceu, hora ou outra podemos fantasiar situações, mas no fim o que nos resta são os fatos. E a ditadura militar é a realidade que gostaríamos de esquecer.

A censura, a revogação de direitos civis e constitucionais, a opressão, o maquiamento e a manipulação dos fatos, o estouro da dívida externa, e claro, as torturas mancharam a história brasileira e trazem consequências até os dias atuais ao nosso país.

Vídeo que traz relatos de sobreviventes da ditadura. Pessoas comuns ou da revolução armada, que foram presos, torturados e vivem hoje com as marcas das lembranças

Outro ponto muito usado como argumento é que os revolucionários contra a ditadura eram terroristas e bandidos. São citados os assaltos a bancos, sequestros e assassinatos. Dilma Rousseff inclusive é condenada em páginas com teores mais extremistas, como terrorista do Brasil.

No vídeo, Ivan Seixas, conta detalhes sobre como participou da luta armada aos quinze anos. Seu pai era líder de uma rede revolucionária clandestina e, ao contrário do que é pregado em vários sites, ele não era combatente militar dos “comunas”, era um mecânico que se juntou com um torneiro e um topógrafo para enfrentar, com vários trabalhadores, os militares. Ao contrário do que “pensam”, os assaltos aos bancos não eram para enriquecimento próprio, era para ter onde dormir, o que comer e vestir.

Os famosos sequestros aos embaixadores internacionais serviam apenas como moeda de troca dos “companheiros” presos pelo regime militar.

É bom ressaltar também, que muitas pessoas eram presas sem ter praticado qualquer ação revolucionária ou ato considerado “subversivo”. Apenas por você ser familiar ou amigo de alguém que estava sendo procurado, você corria o risco de ser preso ou pior, levado à tortura para contar coisas que literalmente não sabia.

O site e-farsas publicou, recentemente, um texto sobre seis boatos desmentidos que envolvem a presidenta Dilma na internet, o sexto é sobre a suposta ficha criminal que a incrimina por assaltos, assassinatos, sequestros entre outros.

Vídeos reacionários como esse, contextualizam o “ódio” criado em torno de falsas notícias, como o assassinato do soldado Mário Kozel Filho. Em qual Dilma é acusada de fazer parte

A própria Folha de São Paulo se retratou sobre ter postado a suposta ficha criminal de Dilma.

É necessária a leitura e uma maior averiguação para tirar conclusões melhores. Não sou um defensor de Dilma presidenta, a informação trazida aqui independe do governo petista. Mas foca na questão dos militantes, artistas, “subversivos”, que sumiram, foram mortos ou apanharam por um longo tempo.

Esmiuçar esses detalhes nos transforma, a ponto de não cometermos os mesmos erros que cometemos no passado.

Uma pessoa me disse esses dias: “Vencer na vida deve ser mais ou menos o que aconteceu com a Dilma Rousseff no dia da posse. Você ser presa, torturada, humilhada e sabe lá o que mais aconteceu pelos militares, e quase 50 anos depois você receber a saudação da continência, que é o respeito e apreço superior dos mesmos.”.
Pessoal a ideia era trazer alguns dados e fazer resenha de três filmes sobre tortura para dar uma refrescada do quão ruim foi esse momento para o Brasil. Mas fui me aprofundando nas pesquisas, e descobrindo os relatos, uma coisa puxou a outra e acabei focando mais nessa desmistificação desses boatos que rolam na internet.

Vou indicar os filmes, mas sem as devidas resenhas, até porque são filmes conhecidos, mas que valem ser revistos para dar uma refrescada na memória. -

O que é isso, Companheiro? – 1997

O ano em que meus pais saíram de férias. – 2006

Aparentemente, os artistas de hoje  já não fazem mais a hora... p referem esperar acontecer Que vivemos uma crise artística no celeiro...

Aparentemente, os artistas de hoje  já não fazem mais a hora... preferem esperar acontecer



Que vivemos uma crise artística no celeiro nacional todos já estão cansados de saber. Talvez os maiores alvos sejam a música e a dramaturgia, mas esse assunto não pode ser o foco em um blog de política, entretanto, o que venho questionar é a falta de envolvimento e engajamento da classe artística no momento delicado que o país enfrenta.

Se em 1978, Renato Russo lançava a pergunta “Que país é esse?” em uma música com a sua letra pra lá de política, hoje fica cada vez mais difícil encontrarmos artistas que se comprometam e não tenham medo de perder “likes” por tomar um partido, desculpe o trocadilho, com a situação do Brasil.

Sejamos justos a aqueles que representam a arte como de fato eu enxergo que ela deva se posicionar, criticando, e não se calando só porque querem aparecer no especial de natal do Roberto Carlos, que inclusive fez parte da Jovem Guarda na época da ditadura, grupo que servia de exposição para alienar e divertir a sociedade do espetáculo que estava sendo formada pelos militares.

O maior exemplo, acredito eu, seja Monica Iozzi que surpreende aquele que vos escreve de forma muito positiva com seus tweets. Monica trabalhou alguns anos no programa CQC, da Band, onde ela era repórter política, portanto, vivia tentando entrar no planalto e no congresso. O CQC era proibido de adentrá-los para poder fazer algumas perguntas um tanto quanto ”agressivas” a aqueles que trabalham, ou deveriam trabalhar, no âmbito político brasileiro.

Pois bem, Monica transferiu-se para a Rede Globo onde afastou-se desse segmento e seguiu um caminho como atriz e apresentadora. Todos sabem que artistas globais costumam ser bonecos de cera que procuram evitar situações que possam sujar sua imagem, e é aí que Monica Iozzi me surpreende, por exemplo ao retweetar de Mauricio Stycer a seguinte frase: “Globo, Record, SBT, Band e RedeTV! Ignoram pronunciamento de Dilma. Gazeta exibiu trechos ao vivo.”  Uma posição que até poderia lhe custar o emprego na emissora.

Mesmo com uma possível intimidação da sua contratante, não pestanejou em tweetar, um dia depois da votação na Câmara dos Deputados pela abertura do processo de Impeachment da presidenta Dilma Rouseff, a seguinte frase “Ver @MichelTemer já se comportar como presidente é nojento, mas esperado. Revoltante é a imprensa já analisar os “possíveis” ministros.” Por esses e outros tweets, que demonstram sua coragem em defender seu direito de expressão, é que destaco Monica Iozzi como uma das artistas brasileiras que tem meu singelo respeito.

Outro artista que sou fã de carteirinha é Gregório Duvivier, que aparentemente defende um ponto de vista mais esquerdista e mesmo assim tem uma coluna no jornal Folha de São Paulo, que é visado como um jornal com uma diretriz de direita. Gregório talvez me surpreenda um pouco menos que Monica Iozzi pelo simples fato de ser praticamente “autônomo” na visão de que ele é um dos fundadores de um dos maiores, se não for o maior, portais de humor, o Porta dos Fundos. De certa forma, sua liberdade para criar fica mais ampla por ter a seu dispor um canal midiático com mais de onze milhões de inscritos que seguem fielmente o grupo humorístico.

Claro que essa visibilidade toda tem seu lado “ruim”, principalmente em um momento onde o país começa a levar as discussões políticas com fanatismo, como se estivessem discutindo futebol ou religião, e a polêmica começou assim que foi divulgado o vídeo “Delação” que faz uma crítica na forma duvidosa que a polícia federal rege as suas investigações. Para o orgulho deste editor, não só Gregório, como o Porta dos Fundos, bancaram o seu posicionamento e com humor, o que melhor sabem fazer, responderam com o vídeo “Reunião de emergência 3” onde de forma sarcástica brincam com a maior crítica que receberam, o fator X do discurso da maioria, aquela palavra que me incomoda particularmente “vendidos”.

Gregório também postou um vídeo em sua conta particular, um dia antes da votação na Câmara dos Deputados, que de forma inteligentíssima mostra o ponto negativo do Impeachment, ou seja, são quase doze minutos falando de Michel Temer, que provavelmente tomará posse caso Dilma deixe o poder. Gregório já disse em entrevista que tem maconha plantada em seu quintal na espera da polícia ir prendê-lo, claro que é uma forma de protesto perante a legalização da maconha e mostrar como a lei funciona com base na sua classe social e racial.

É um artista que escreve, atua e tem a preocupação de se politizar e demonstrar sua posição seja no Porta dos Fundos, na Globo, na Folha de São Paulo ou em entrevistas nacionais e internacionais.

A atriz Cássia Kis teve seu momento de se vira nos 30 no próprio Faustão, mas independentemente de sua posição ela merece estar nesse texto por ter feito uma cobrança correta, porém em lugar e momento inapropriado. Eu nunca havia visto a atriz falar sobre política em qualquer outro lugar, mas em momento delicado do país ela decide "por a boca no trombone", o programa estava ao vivo no mesmo dia que acontecia uma manifestação contra o governo, dia 13/12/2015.

O apresentador Faustão achou correto em uma entrega de prêmio anual dar esse espaço aos artistas e Cássia o fez emocionada mesmo, particularmente eu não gosto desse tipo de exposição onde o artista solta a bomba apenas para ganhar aplausos e depois volta a se calar, isso sim é se virar nos 30. No mesmo programa Alexandre Nero e Tonico Pereira retrucaram a atriz, mesmo que desmintam. Um, pedindo que as pessoas se informassem mais e o outro, fazendo uma crítica a Câmara dos Deputados que seria em sua visão o verdadeiro problema do país. Alexandre Nero tem o costume de falar sobre política em sua rede social, porém de uma forma bem branda e até um pouco ensaboada, muito diferente, por exemplo do seu companheiro de profissão Wagner Moura que muitas vezes sofre com a sua posição “petista”.

Podemos ver que no meio dos atores temos até uma resposta interessante, embora não esteja cem por cento em ligação para formar um elo que mude algo, devemos destacar o embrião positivo que nasce com essas posições e discussões. Já no cenário musical, o buraco é muito mais embaixo.

Se na época da ditadura militar tivemos a música fortemente na luta contra o golpe, nos dias de hoje a geração que sucedeu a Chico Buarque, Caetano, Gil e tantos outros, procura-se esquivar quando o assunto é política. Não somente em suas posições, mas são poucas as letras que falam sobre o assunto.

Talvez o exemplo que mais lembrou os tempos de tropicália foi o do cantor Dani Black, que escreveu uma música chamada “O Trono do Estudar” que fala sobre o momento crítico que São Paulo vivia com a tal “Reforma escolar” proposta por Geraldo Alckmin. Estudantes ocuparam escolas estaduais em protesto à medida que visava fechar aproximadamente 162 unidades. Instigado por esse ato da população, principalmente por serem jovens estudantes, o cantor juntou dezoito artistas, entre eles Chico Buaque, Zélia Duncan, Paulo Miklos e Dado Villa-Lobos, para gravarem a música que foi postada no Youtube.

Mesmo sem nenhuma visibilidade televisiva, teve mais de 230 mil visualizações e sem dúvida um engajamento enorme para aqueles que foram lutar por seu mais simples direito, inclusive esse vídeo foi o pontapé inicial para shows beneficentes que foram feitos por artistas renomados nas escolas ocupadas. Porém, isso é muito pouco, mesmo tendo uma causa, uma letra e melodia, uma movimentação artística significativa e principalmente a internet, “O Trono do Estudar” não chegou nem perto de se tornar “Pra não dizer que não falei de flores” de Geraldo Vandré.

Obviamente a causa não era tão grande quanto contra a ditadura, isso temos que ter em mente, mas o problema é que se voltássemos a 1964 com a realidade artística que temos hoje, eu tenho receio do resultado que teríamos. Muitos dizem que precisasse de um vilão para nascerem os heróis, mas o que fazemos quando nossos heróis morreram de overdose e AIDS?

Existem artistas que se posicionam, o problema é que não têm organização, estão cada um olhando para sua programação de shows e nada mais importa. Todos deveriam se juntar para ser a voz do povo, para ser o estopim da mudança, não só rostinhos bonitos. Suas músicas deveriam fazer as pessoas pensarem, refletirem, não servir de enfeite na abertura da novela.

Vou ser justo e dizer alguns nomes que usam a crítica política em suas músicas, porque esses também merecem nossa atenção, como Fabio Brazza e Mc Garden que fizeram a música “Geração de Pensadores” jogando muitas verdades em nossa cara, o segundo tem o propósito de criticar o governo em muitas músicas. Temos Gabriel Pensador, algumas letras do Forfun (banda que já não existe mais), Criolo...

Fiz o esforço máximo que pude para lembrar desses artistas e foi bem difícil, caso você leitor saiba de algum artista escreve aí nos comentários, porque me entristece muito ver que conseguiram calar a classe daqueles que deveriam ter voz ativa! “Pai, afasta de mim esse cálice”.