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Mais uma parada gay está por vir e a desvalorização da luta pelos direitos tende a persistir   Foto: Edu Cesar Não podemos igno...


Mais uma parada gay está por vir e a desvalorização da luta pelos direitos tende a persistir 

 Foto: Edu Cesar

Não podemos ignorar que o movimento moderno de defesa dos direitos humanos dos homossexuais tem início com uma revolta, uma luta contra a repressão por todos os lados. O número de mortes de pessoas LGBT é enorme, inclusive, o Brasil lidera o número de assassinatos em disparada, tendo uma morte a cada 28 horas e, 40% dos assassinatos de transexuais no mundo, ocorrem no Brasil, que belo ranking para estarmos, né? E pela falta de uma lei que criminaliza a homofobia, as queixas são registradas como uma agressão qualquer.  

A homofobia e o discurso homofóbico têm a mesma ideia de um discurso racista, só que não temos uma lei que nos protege, se tratar um negro diferente por causa de sua cor, a pessoa pode ser imediatamente presa, se alguém me agride por eu ser mulher, a mesma coisa, mas se alguém nos discrimina por causa da nossa sexualidade, não há uma lei que puna o agressor. 

A primeira parada gay, em 1970, surgiu para celebrar essa revolta, lembrar a luta, e marcar que os abusos não seriam mais tolerados. Enquanto os direitos humanos da população LGBT continuarem a ser desrespeitados, as paradas gays continuarão a existir, e mesmo se todos os direitos um dia forem assegurados, elas continuarão como um testemunho de todos que sofreram e morreram ao longo da história simplesmente por serem LGBT, e também em memória de todos aqueles que lutaram pelo fim da discriminação. E fora a luta para conseguirmos uma lei que nos proteja perante nossa orientação sexual, (e não, não é uma escolha) também estamos numa batalha incansável para conseguirmos os mesmos direitos de casamento que os casais heterossexuais possuem, afinal, quem quer casar tem que ter esse direito assegurado por lei. 

Parada Gay de São Paulo 2014 aconteceu no dia 4 de maio. Foto: Edu Cesar

Em 1997, a ex-senadora Marta Suplicy, colocou em pauta a lei de parceria civil, que implica na união entre pessoas do mesmo sexo e regula basicamente direitos patrimoniais decorrentes da união, que foi e voltou muitas vezes, mas acabou não dando em nada. Em 2011, o Supremo Tribunal Federal, estendeu a união estável para pessoas do mesmo sexo. Com isso estabelecido, casais gays puderam se juntar, tornando-se sucessores legais, integrados pelo plano de saúde, reconhecidos como dependente da previdência, tendo direito à pensão no caso de morte e herança. A união estável ajudou, mas não totalmente, por exemplo, o estado civil em cartório não é alterado e também não dá direito à mudança de nome.

 Em 2013, o conselho nacional de justiça declarou que a união estável tem que ter os mesmos direitos do casamento. Com igualdade de direito no casamento civil, casais homossexuais passaram a ter as mesmas garantias que os casais heterossexuais. O casamento gay, garantido pelo STF, é uma grande conquista, mas não é totalmente seguro, quem escolhe os ministros que compõe o STF é o presidente, ambos podem mudar, e sabe lá o que pode acontecer, né? O ideal é que essa lei seja aprovada pelo congresso, porque passamos a possuir um direito garantido por lei, e várias questões seriam resolvidas, como a adoção, licença maternidade/paternidade, e não dependeríamos da interpretação de um juiz, por exemplo, para decidir se podemos ou não adotar uma criança ou tirar a licença.

E gente, pedimos o casamento no civil na lei, não na igreja, o que é completamente diferente, e como falado no texto da semana passada, o Brasil, sendo um país laico, deveria conceder os mesmos direitos para todos os casais. A união civil não passa de um contrato estabelecido pelo Estado, não concede os mesmos direitos do casamento para todos os casais. E colocar o casamento gay como algo diferenciado, é um retrocesso, como na época em que negros e brancos não podiam juntar suas escovas de dente. 

Ah! Eu cansei Ninguém me respeita Só ficam à espreita De se dar bem Ah! Eu cansei Toda eleição é a mesma putaria Os cafetões arma...

Ah! Eu cansei
Ninguém me respeita
Só ficam à espreita
De se dar bem

Ah! Eu cansei
Toda eleição é a mesma putaria
Os cafetões armam as armadilhas
E vocês não esquivam

Ah! Eu cansei
Raros acreditam em mim
Querem ir pra Europa ou até pra Pequim
Ou voarem na águia de marfim

Ah! Eu cansei
De lhes entregar tanta natureza
De lhe fazer tanta beleza
E vocês desmatarem
Poluírem
Arruinarem com toda essa ambição
Que se foda a constituição
Quem manda nessa festa é a religião
Presidente? Uma piada
Deus é quem manda nessa parada
E pior
Quando alguém decide pensar como humano
Vocês reclamam dos médicos cubanos

Ah! Eu cansei
E como cansei
Toda essa desigualdade
Culpa de um sistema arcaico
pela águia de marfim sustentado
Que vai eliminando os julgados
Que na mesa nem tem um pão

Ah! Eu cansei
Desse povo burro
Que protesta por um absurdo
Que sustentam Ipanema
E esquecem do alemão
De tantos míopes políticos
Que só usam óculos nos domingos

Cansei
De tanto lixo no chão
De tanta reclamação
De tanta escrotidão
De tanta violação
De tanta corrupção
De vocês sem nexo

Eu cansei
Desse crime desenfreado
Desse dinheiro jogado no ralo
Desses projetos mal estudados
Como não cansar?
É festa o ano inteiro
Oh povinho festeiro
Que rapidamente esquece o problema
E “ema ema” pra solução

Eu cansei
Vai tomar no cu toda essa mídia
Que manipula toda a matilha
Em direção à alienação
Estou cansado
De toda essa esquerda capenga
E dessa direita nojenta
Que só fazem minha imagem sujar
Só o pré-sal pra tentar me limpar
Não quero mais esse povo pra mim
Pra dormir estou tendo que tomar Dramin

Eu cansei
De tanta hipocrisia
De tanta homofobia
De tanta hegemonia
Eu cansei
Esse povo não me merece
Nenhum pensador mais me aparece
Vou deixar esse povo pra lá
Assim como me tratam não dá

Eu choro
Por cada criança cheirando cola
Dos adolescentes puxando marola
Do adulto virando alcoólatra
Do velho elogiando lá fora
Eu cansei
Vocês só sabem de mim reclamar
Dizendo "nesse país não dá"
Mas engraçado, ninguém quer nem tentar mudar

Ah! Eu cansei
De verdade cansei
De toda essa ditadura
Desse sistema que tanto fatura
Desse povo que tudo atura
De tanto Capitão Nascimento
De tanto Zé pequeno
Eu cansei pra caralho
De tanta desordem
De tanto regresso

Eu cansei
Vocês não tem o que reclamar de mim
Quem pode reclamar sou eu, de vocês, por serem um povo tão ruim
Eu realmente cansei...

A constituição afirma o estado laico, mas na prática é quase tudo em nome de Deus Cartoon por Carlos Latuff É difícil ser apa...


A constituição afirma o estado laico, mas na prática é quase tudo em nome de Deus

Cartoon por Carlos Latuff


É difícil ser apartidário numa época como essa, ou você é “coxinha” ou você é “petralha”. É difícil pensar no "quero o melhor para o meu país", sendo que o meu melhor pode ser extremamente diferente do seu.  

Essa divisão na política, esse “oito ou oitenta” acabou criando uma espécie de batalha entre os dois lados. De um lado, levanta-se uma bandeira colorida que defende o amor e os direitos humanos, do outro, levanta-se uma cruz a favor  da família e ao amor divino. 

Mas espera aí, o Brasil não é um país laico? Ou seja, uma posição neutra no campo religioso, tendo como princípio a imparcialidade nesses assuntos, o que nos dá a entender que, nenhuma doutrina religiosa pode ter influência na Constituição. Além disso, como pode um Estado que se diz laico privilegiar templos de qualquer culto com isenção de impostos? Que motivo levaria um Estado laico a beneficiar entidades religiosas que não assiste a uma população como um todo?  

As sociedades religiosas não pagam impostos e recebem subsídios financeiros para suas instituições de ensino e assistência social, e muitas delas exercem pressão sobre o Congresso, dificultando a promulgação de leis no que diz respeito à pesquisa científica, aos direitos sexuais e reprodutivos, da união homoafetiva, principalmente. 

Bom, se você assistiu o processo jurídico do impeachment, no último domingo, um número grande de políticos usaram seus votos para homenagear a Deus e a sua própria família, um horror pensar que políticos que nos representam param pra pensar primeiro em suas próprias ideologias religiosas, e em segundo, na sua própria família, e em terceiro ou quarto, talvez quinto, na população brasileira como um todo. 

Os direitos humanos que o outro lado, “colorido”, insiste em colocar em pauta, asseguram direitos e liberdades básicas de todos os seres humanos. Seu conceito também está ligado com a ideia de liberdade de pensamento, de expressão, e a igualdade perante a lei. No entanto, no país, como já citado, há uma forte atuação de certos grupos religiosos inserindo em suas propostas políticas, reflexões que variam entre sexualidade, convenções sociais e culturais, que regulam as condutas do indivíduo, tentando empurrar suas doutrinas no que diz respeito à liberdade e direitos igualitários.

 A questão é a seguinte, as igrejas podem até manifestar indignação, mas jamais podem decidir algo, a resolução é totalmente do Estado, que da mesma forma que garante o direito de culto, garante, ou pelo menos deveria, a indiferença religiosa, uma vez que as leis nascem no Congresso Nacional, já que deputados e senadores trabalham na elaboração e aprovação de cada lei que norteia os direitos dos cidadãos. A bancada fundamentalista de evangélicos e católicos do Congresso Nacional está atuando de forma indiscriminada, criando ações, como projetos de lei, que colocam em risco a laicidade do Estado brasileiro. 

Atualmente, o movimento evangélico no Brasil cresceu deliberadamente, construindo uma bancada que segue essa doutrina, o que comprometeu as boas relações de convivência entre os mais diversos segmentos religiosos do país, e resultou em agressões e ataques deste ou daquele grupo, desencadeando uma onda de intolerância e rivalidade totalmente desnecessária. Será mesmo que é desse jeito que o Brasil terá um futuro melhor?

Aparentemente, os artistas de hoje  já não fazem mais a hora... p referem esperar acontecer Que vivemos uma crise artística no celeiro...

Aparentemente, os artistas de hoje  já não fazem mais a hora... preferem esperar acontecer



Que vivemos uma crise artística no celeiro nacional todos já estão cansados de saber. Talvez os maiores alvos sejam a música e a dramaturgia, mas esse assunto não pode ser o foco em um blog de política, entretanto, o que venho questionar é a falta de envolvimento e engajamento da classe artística no momento delicado que o país enfrenta.

Se em 1978, Renato Russo lançava a pergunta “Que país é esse?” em uma música com a sua letra pra lá de política, hoje fica cada vez mais difícil encontrarmos artistas que se comprometam e não tenham medo de perder “likes” por tomar um partido, desculpe o trocadilho, com a situação do Brasil.

Sejamos justos a aqueles que representam a arte como de fato eu enxergo que ela deva se posicionar, criticando, e não se calando só porque querem aparecer no especial de natal do Roberto Carlos, que inclusive fez parte da Jovem Guarda na época da ditadura, grupo que servia de exposição para alienar e divertir a sociedade do espetáculo que estava sendo formada pelos militares.

O maior exemplo, acredito eu, seja Monica Iozzi que surpreende aquele que vos escreve de forma muito positiva com seus tweets. Monica trabalhou alguns anos no programa CQC, da Band, onde ela era repórter política, portanto, vivia tentando entrar no planalto e no congresso. O CQC era proibido de adentrá-los para poder fazer algumas perguntas um tanto quanto ”agressivas” a aqueles que trabalham, ou deveriam trabalhar, no âmbito político brasileiro.

Pois bem, Monica transferiu-se para a Rede Globo onde afastou-se desse segmento e seguiu um caminho como atriz e apresentadora. Todos sabem que artistas globais costumam ser bonecos de cera que procuram evitar situações que possam sujar sua imagem, e é aí que Monica Iozzi me surpreende, por exemplo ao retweetar de Mauricio Stycer a seguinte frase: “Globo, Record, SBT, Band e RedeTV! Ignoram pronunciamento de Dilma. Gazeta exibiu trechos ao vivo.”  Uma posição que até poderia lhe custar o emprego na emissora.

Mesmo com uma possível intimidação da sua contratante, não pestanejou em tweetar, um dia depois da votação na Câmara dos Deputados pela abertura do processo de Impeachment da presidenta Dilma Rouseff, a seguinte frase “Ver @MichelTemer já se comportar como presidente é nojento, mas esperado. Revoltante é a imprensa já analisar os “possíveis” ministros.” Por esses e outros tweets, que demonstram sua coragem em defender seu direito de expressão, é que destaco Monica Iozzi como uma das artistas brasileiras que tem meu singelo respeito.

Outro artista que sou fã de carteirinha é Gregório Duvivier, que aparentemente defende um ponto de vista mais esquerdista e mesmo assim tem uma coluna no jornal Folha de São Paulo, que é visado como um jornal com uma diretriz de direita. Gregório talvez me surpreenda um pouco menos que Monica Iozzi pelo simples fato de ser praticamente “autônomo” na visão de que ele é um dos fundadores de um dos maiores, se não for o maior, portais de humor, o Porta dos Fundos. De certa forma, sua liberdade para criar fica mais ampla por ter a seu dispor um canal midiático com mais de onze milhões de inscritos que seguem fielmente o grupo humorístico.

Claro que essa visibilidade toda tem seu lado “ruim”, principalmente em um momento onde o país começa a levar as discussões políticas com fanatismo, como se estivessem discutindo futebol ou religião, e a polêmica começou assim que foi divulgado o vídeo “Delação” que faz uma crítica na forma duvidosa que a polícia federal rege as suas investigações. Para o orgulho deste editor, não só Gregório, como o Porta dos Fundos, bancaram o seu posicionamento e com humor, o que melhor sabem fazer, responderam com o vídeo “Reunião de emergência 3” onde de forma sarcástica brincam com a maior crítica que receberam, o fator X do discurso da maioria, aquela palavra que me incomoda particularmente “vendidos”.

Gregório também postou um vídeo em sua conta particular, um dia antes da votação na Câmara dos Deputados, que de forma inteligentíssima mostra o ponto negativo do Impeachment, ou seja, são quase doze minutos falando de Michel Temer, que provavelmente tomará posse caso Dilma deixe o poder. Gregório já disse em entrevista que tem maconha plantada em seu quintal na espera da polícia ir prendê-lo, claro que é uma forma de protesto perante a legalização da maconha e mostrar como a lei funciona com base na sua classe social e racial.

É um artista que escreve, atua e tem a preocupação de se politizar e demonstrar sua posição seja no Porta dos Fundos, na Globo, na Folha de São Paulo ou em entrevistas nacionais e internacionais.

A atriz Cássia Kis teve seu momento de se vira nos 30 no próprio Faustão, mas independentemente de sua posição ela merece estar nesse texto por ter feito uma cobrança correta, porém em lugar e momento inapropriado. Eu nunca havia visto a atriz falar sobre política em qualquer outro lugar, mas em momento delicado do país ela decide "por a boca no trombone", o programa estava ao vivo no mesmo dia que acontecia uma manifestação contra o governo, dia 13/12/2015.

O apresentador Faustão achou correto em uma entrega de prêmio anual dar esse espaço aos artistas e Cássia o fez emocionada mesmo, particularmente eu não gosto desse tipo de exposição onde o artista solta a bomba apenas para ganhar aplausos e depois volta a se calar, isso sim é se virar nos 30. No mesmo programa Alexandre Nero e Tonico Pereira retrucaram a atriz, mesmo que desmintam. Um, pedindo que as pessoas se informassem mais e o outro, fazendo uma crítica a Câmara dos Deputados que seria em sua visão o verdadeiro problema do país. Alexandre Nero tem o costume de falar sobre política em sua rede social, porém de uma forma bem branda e até um pouco ensaboada, muito diferente, por exemplo do seu companheiro de profissão Wagner Moura que muitas vezes sofre com a sua posição “petista”.

Podemos ver que no meio dos atores temos até uma resposta interessante, embora não esteja cem por cento em ligação para formar um elo que mude algo, devemos destacar o embrião positivo que nasce com essas posições e discussões. Já no cenário musical, o buraco é muito mais embaixo.

Se na época da ditadura militar tivemos a música fortemente na luta contra o golpe, nos dias de hoje a geração que sucedeu a Chico Buarque, Caetano, Gil e tantos outros, procura-se esquivar quando o assunto é política. Não somente em suas posições, mas são poucas as letras que falam sobre o assunto.

Talvez o exemplo que mais lembrou os tempos de tropicália foi o do cantor Dani Black, que escreveu uma música chamada “O Trono do Estudar” que fala sobre o momento crítico que São Paulo vivia com a tal “Reforma escolar” proposta por Geraldo Alckmin. Estudantes ocuparam escolas estaduais em protesto à medida que visava fechar aproximadamente 162 unidades. Instigado por esse ato da população, principalmente por serem jovens estudantes, o cantor juntou dezoito artistas, entre eles Chico Buaque, Zélia Duncan, Paulo Miklos e Dado Villa-Lobos, para gravarem a música que foi postada no Youtube.

Mesmo sem nenhuma visibilidade televisiva, teve mais de 230 mil visualizações e sem dúvida um engajamento enorme para aqueles que foram lutar por seu mais simples direito, inclusive esse vídeo foi o pontapé inicial para shows beneficentes que foram feitos por artistas renomados nas escolas ocupadas. Porém, isso é muito pouco, mesmo tendo uma causa, uma letra e melodia, uma movimentação artística significativa e principalmente a internet, “O Trono do Estudar” não chegou nem perto de se tornar “Pra não dizer que não falei de flores” de Geraldo Vandré.

Obviamente a causa não era tão grande quanto contra a ditadura, isso temos que ter em mente, mas o problema é que se voltássemos a 1964 com a realidade artística que temos hoje, eu tenho receio do resultado que teríamos. Muitos dizem que precisasse de um vilão para nascerem os heróis, mas o que fazemos quando nossos heróis morreram de overdose e AIDS?

Existem artistas que se posicionam, o problema é que não têm organização, estão cada um olhando para sua programação de shows e nada mais importa. Todos deveriam se juntar para ser a voz do povo, para ser o estopim da mudança, não só rostinhos bonitos. Suas músicas deveriam fazer as pessoas pensarem, refletirem, não servir de enfeite na abertura da novela.

Vou ser justo e dizer alguns nomes que usam a crítica política em suas músicas, porque esses também merecem nossa atenção, como Fabio Brazza e Mc Garden que fizeram a música “Geração de Pensadores” jogando muitas verdades em nossa cara, o segundo tem o propósito de criticar o governo em muitas músicas. Temos Gabriel Pensador, algumas letras do Forfun (banda que já não existe mais), Criolo...

Fiz o esforço máximo que pude para lembrar desses artistas e foi bem difícil, caso você leitor saiba de algum artista escreve aí nos comentários, porque me entristece muito ver que conseguiram calar a classe daqueles que deveriam ter voz ativa! “Pai, afasta de mim esse cálice”.

Soluções aparentemente milagrosas para resolver problemas graves, normalmente, escondem segundas intenções em suas nuances. Essa regra nã...

Soluções aparentemente milagrosas para resolver problemas graves, normalmente, escondem segundas intenções em suas nuances. Essa regra não encontra exceção no plano Temer de tomada do poder

Michel Temer é o maior beneficiado pelo impeachment de Dilma Rousseff (Foto: Rose Brasil / ABr)
Almejada pelos alquimistas e citada na mitologia grega, a panaceia significa basicamente a cura de todas as enfermidades ou algo capaz de resolver todos os problemas.

É isso que intimamente a maioria das pessoas acredita que deve acontecer após o impedimento de Dilma Rousseff.

Essa ilusão se dá por conta de vários motivos, mas principalmente a desinformação política exercida pela maioria dos brasileiros.

Se alguém acreditou que o dólar ontem estaria a R$ 1,00, talvez tenha tido uma surpresa ao ver o mesmo subindo quase 10 centavos (2%).

O impedimento mesmo que futuramente seja em definitivo não será a cura que o Brasil precisa. Não podemos negar que ele possa, e deva dar certo fôlego para a economia, atraindo investidores nesse próximo semestre. Mas estamos muito longe de encontrar a panaceia que o Brasil precisa.

Criação: Luis Gustavo Paffaro (FSP)
Não será em Dilma, muito menos em Temer, que protagonizou nessas últimas semanas mais um momento histórico negativo para o Brasil.

As articulações escancaradas, o conchavo que uniu progressistas, cristãos, coronéis, empresários, militares, PSDB e PMDB, além de muitos corruptos, deixa nítido que a proposta de Temer é governar. Ele não está de passagem, nem muito menos vai abrir mão do principal cargo público do Brasil para seu sucessor Eduardo Cunha.

Tal foi que, sublimemente, Michel Temer nos apresentou sua personalidade, seja na tal carta em que víamos uma pessoa doída por não fazer parte da festa, até o absurdo vazamento do áudio. Vou ser sincero com vocês, não me imagino gravar um áudio no WhatsApp por mais de 13 minutos e sem querer enviar a um grupo.

Tais infantilidades, culminou na votação expressiva do impeachment ontem e que posteriormente deve ser aprovado com uma certa diferença também no senado.

Temer me deixou abismado, mas bem mais do que ele, só a desinteligência do Partido dos Trabalhadores. 

Não consigo conceber as últimas “cartadas” do PT pré-impeachment.

Lula era um coelho da cartola, definitivamente o PT sabia que a hora que precisasse, tiraria ele de lá e “voilà”, ele salvaria o partido, o Brasil e talvez o mundo.

Mas deixaram o coelho tanto tempo lá, enclausurado e quietinho, que quando o tiraram, havia morrido.

Lula foi convocado tarde demais por Dilma (Foto: Adriano Machado / Reuters)
Sim, Lula ainda está vivo, mas não é  mais o “líder” brasileiro que salvou milhões, e sim de mais um político corrupto condenado pela opinião pública.

Penso que, se Lula tivesse sido chamado pela Dilma três meses antes, a repercussão seria bem menor e ele assumiria tranquilamente a Casa Civil, faria seu jogo político e o impeachment provavelmente demoraria mais alguns meses para ser votado.

Outro erro foi o pacto proposto quase como um último suspiro caso o impedimento não fosse aprovado. Seis meses antes uma proposta de diálogo, com os aliados e a oposição, talvez tivesse surtido, mesmo que remotamente, um efeito positivo na votação de domingo. Entre outras coisas que ao longo desses últimos seis meses fomos assistindo, como o próprio PT se sabotando, além de claro, os opositores partindo para cima com todas as armas possíveis para queimar ainda mais a imagem do partido.

O resultado de domingo não surpreende. Nas contas de Temer ele errou por um voto. Na de Dilma por 26.

(Foto: Alan Marques / Folhapress)
O impedimento deve sim ser aprovado pelo senado, não vejo mais governabilidade por parte do governo atual, e caso o STF julgue a favor de Dilma, seria uma afronta contra a opinião pública desnecessária, que só desgastaria ainda mais a imagem do partido com a população.

A melhor saída agora, na minha opinião, seria Dilma apresentar para a sociedade a carta de renúncia nessa semana, mas com a garantia de que Temer também renunciará, e claro que seria convocado agora em outubro, eleições gerais.

Seria digno para a presidenta, tiraria um pouco do peso que só está nos ombros dela e do PT, e seria sim um cheque mate para o plano Temer de governar o Brasil.

Mas como eu diria, e talvez alguém já tenha dito, hoje está mais fácil acertar a previsão de quantos graus vai fazer daqui a um mês do que imaginar o que o dia de amanhã nos reserva na política.

Diante de uma das maiores crises institucionais da nossa história, somente o impeachment não irá resolver: só o povo pode recolocar o Brasi...

Diante de uma das maiores crises institucionais da nossa história, somente o impeachment não irá resolver: só o povo pode recolocar o Brasil no caminho da normalidade

Dupla Dilma-Temer não conseguiu protagonizar um governo de unidade, levando o país à falência política; ruptura era desastre anunciado (Foto: Romério Cunha / Página de Michel Temer no Flickr)
Depois de 24 anos, o Brasil voltou a testemunhar a sua Câmara dos Deputados aprovar o que muitos consideram como um dos mecanismos mais graves permitidos pela Constituição: o impeachment. Foram quase dez horas de sessão, e uma sequência bizarra, e quase surreal, de manifestações destemperadas daqueles que, teoricamente, deveriam ser os representantes do povo - mas que pareciam, na verdade, representantes de suas famílias e de Deus, a figura mais citada nos pronunciamentos.

Não foi à toa que muitos ironizaram as justificativas de voto da enorme maioria dos 367 deputados que votaram a favor. Quem tivesse que presumir do que o processo se tratava, somente ao ouvir os porquês dos votos "sim", iria concluir facilmente que a presidente Dilma deve ser afastada por não gostar dos filhos e netos dos ilustres deputados. Ou porque ela não é, digamos, muito "parça" de Deus. Complicado, não?

Por outro lado, muitos dos 137 votos contrários também fizeram jus à cegueira radical com que o processo tem sido analisado. Os governistas seguem batendo nas mesmas teclas: Dilma é vítima, e o impeachment é um golpe disfarçado. Como levar um dos lados a sério?

Pessoalmente, apoiei a eleição de Lula 1, Lula 2, Dilma 1 e Dilma 2. Militei pelo PT, partido ao qual fui filiado de 2004 a 2014, em duas dessas quatro eleições, e na última o meu voto foi mais contra Aécio do que a favor de Dilma. Apesar disso tudo, não compartilho da tese de golpe - afinal o processo está legalmente estabelecido e seu mérito não foi julgado. Não há ilegalidade nas ações dos denunciantes, Hélio Bicudo e Janaína Paschoal. Sequer há erros regimentais na condução do processo pela odiosa figura de Eduardo Cunha - por mais corrupto que possa ser, o presidente da Câmara conhece o regimento da casa, e sabe usá-lo como ninguém.

No entanto, a legalidade do processo não o torna isento do julgamento moral. E é nesse ponto que defendo a inocência de Dilma. As práticas denunciadas no processo de impeachment podem ser condenáveis, porém não são ilegais. Poucos são os que conseguem encaixar, sem sombra de dúvidas, os créditos suplementares assinados pela presidente, bem como as pedaladas fiscais, dentro de um dos artigos que listam os crimes de responsabilidade previstos na lei. Todas as tipificações dependem de uma análise subjetiva das ações de Dilma, para que se justifiquem. E para mim, isso é o mesmo que torcer a lei até que ela se encaixe no cenário desejado pelos seus opositores.

Engana-se quem acredita genuinamente que o possível (e a essa altura provável) afastamento da presidente irá resolver algo. Seu substituto, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), possui rejeição tão grande quanto à da petista,. Tal apontamento é reforçado pelo fato de o mesmo ter sido beneficiário máximo do projeto de poder que agora rejeita com todas as forças. Incoerência e traição dos tipos que que nunca ficam totalmente impunes ou esquecidas, especialmente em um ambiente sujo como o de Brasília. Tenho sérias dúvidas de que um governo Temer teria sustentação e equilíbrio para tirar o Brasil da lama. Tampouco acredito que o governo Dilma tenha saída ou possa se manter até 2018 sem consequências mais terríveis ainda para o Brasil.

Resumindo: vivemos uma situação ímpar na história do Brasil, pois nenhuma das soluções legalmente possíveis para a saída da crise é boa. Nesse caso, o que fazer? Como devolver ao Brasil um mínimo de estabilidade?

Penso que a solução é aquela que vem ganhando cada vez mais voz e força: o chamado "Nem Dilma, nem Temer", lançado pela Rede Sustentabilidade no último dia 5. Por mais que esteja sendo encampado pela ex-presidenciável Marina Silva, que segundo as pesquisas mais recentes é uma das favoritas em uma possível eleição presidencial (ao lado de, pasmem, Lula), é a única forma válida, a meu ver, de romper com a ordem institucional sem que seja, de fato, um golpe de Estado. Afinal de contas, o poder de escolha do chefe da Nação seria do povo. É, talvez, a única solução possível.

Seria melhor ainda se esse movimento fosse patrocinado também pelo governo, especialmente por Dilma. Não haveria forma mais perspicaz de dizer à população que ela sabe que falhou na condução do país e que deseja devolver a ela o direito de escolher seu futuro. Aí caberia ao povo, e somente ele, pressionar para que a ideia fosse aprovada e novas eleições presidenciais fossem convocadas.

Até mesmo os opositores de Dilma não negam que ela é uma mulher honesta. Talvez, ela apenas esteja no lugar errado, e na pior hora possível. Mas acima de Dilma está o Brasil, e o Brasil merece uma nova chance. A pergunta é: estamos prontos para isso?